quinta-feira, 14 de junho de 2018

Gabriel, o goleiro feliz!


Em 2016 eu escrevi este post
E de lá para cá, o Gabriel desistiu de fazer parte do time da escola.

Outro dia voltei para casa.
E não encontrei o Gabriel em casa.
Fiquei preocupada e liguei para avó.

Eu: O Gabriel esta aí?
Vovó: Não. Ele foi fazer a recuperação.
Eu: Mas, ele ainda não chegou. Que horas que era a recuperação?
Vovó: As 16 horas. Já devia ter chegado.
Eu: Então, ele não chegou.

Vovó foi correndo para escola para ver o que aconteceu.
E encontrou o Gabriel jogando handebol com os meninos.
Acenou para ele.
E ele acenou de volta.

Vovó: O Gabriel esta jogando bola com os meninos
Eu: E você deu bronca por ele não avisar?
Vovó: ele estava tão feliz jogando, que eu não quis tirar a concentração.

Nestas horas não sei se dava bronca na vovó por não dar bronca.
Ou deixava para lá.

O Gabriel mal abriu a porta de casa
E já fui falando......

Eu: Gabriel, porque você não avisou que ia jogar bola. Estava todo mundo preocupado.
Gabriel: O professor perguntou se eu queria fazer parte da equipe. E eu disse que sim. (com um sorriso enorme no rosto)
Eu: Tá bom, mas da próxima vez avisa, fica todo mundo preocupado com você.
Gabriel: Tá, desculpa. Eu sou o goleiro agora.
Eu: Goleiro? E você sabe ser goleiro?
Gabriel: É... acho que não sou muito bom.
Eu: Porque?
Gabriel: Porque tem um garoto do meu time disse que eu sou muito ruim. E que o time vai perder por minha culpa.
Eu: E ele faz o que no time?
Gabriel: Ele é o atacante.
Eu: Então, fala para ele, que ao invés dele reclamar, manda ele fazer gol, assim o time não perde.
Gabriel: Tudo bem. Não importo que ele diga o quanto sou ruim. Vou treinar até melhorar. 

E Gabriel foi para o quarto feliz.
Fazer parte do time da escola, era o que ele sempre quis.
Fazer parte da turma da escola, é o que ele mais sonha.



terça-feira, 5 de junho de 2018

Ikigai


Outro dia participei de uma palestra, com o grande Raul.
E aprendi a palavra Ikigai

Ikigai é uma palavra japonesa.
Que significa: sua razão de viver, é o motivo que faz você acordar todos os dias.

Fiquei pensando....
Qual era o motivo que me faz acordar todos os dias.

E eu dividi a minha vida em:
AG (antes do diagnóstico do Gabriel)
DG (Depois do diagnóstico do Gabriel)

No AG, o meu Ikigai:
Era ter uma casa enorme.
Um carro grande
E muito dinheiro para viajar.

O DG, o meu Ikigai:
Era fazer o Gabriel a falar
A ler
A Compreender
E, principalmente, fazer o Gabriel parar de chorar.

E este anos que passaram,


Aprendi a dar valor a pequenas coisas.
A pequenas conquistas.
E compreendi que a felicidade não é ter.
E sim ser.

O meu Ikigai hoje
Sobreviveu a infância,
Esta na adolescência.
E correndo para fase adulta.
Ano que vem o Gabriel faz 18 anos.

E qual é o seu Ikigai?



terça-feira, 15 de maio de 2018

Domingo do dia das mães.


Nana acorda,
Dá um abraço,
Um beijo,
Um presente
Deseja um feliz dia das mães.
E sai apressada para ver o jogo do primo.


Gabriel acorda
Vê a cena
E lembra que é dia das mães
E dá um abraço.

E eu pegunto......

Eu: Gabriel, cadê o meu presente?
Gabriel: Ué? Você não deu dinheiro?
Eu: Mas, é dia das mães, você tinha que pedir para o seu pai o dinheiro.
Gabriel: Era para comprar no bazar da escola?
Eu: Sim.
Gabriel: Da próxima vez dá dinheiro que eu compro. Não posso ficar adivinhando as coisas.

E, partimos para o treino de beisebol do Gabriel.

No caminho fiquei pensando.
Não tem mais festinha na escola.
Não tem presentinho feito por eles.
Eles estão crescendo
E a mãe já não é mais tão importante assim....... snif....

Neste dia o Gabriel treinaria junto com os mais velhos.
Alguns eu conheço,
outros nunca vi.
E acreditei que eles nem lembrariam que dia que era.
Eu pensei: Que dia das mães mais chato que vou ter.

Mas, para minha surpresa
Todos vieram desejar um feliz dia das mães.
Alguns com abraços
Outros com beijos
E, este gesto de carinho, 
Fez valer a pena madrugar no domingo

Voltando para casa,
Fui abrir o presente da Nana.
Era uma barrinha de chocolate,
E com uma cartinha junto.
E no final da carta tinha uma observação

OBS: Papai não deu dinheiro para comprar presente

Parei e Pensei
Deixo o Herbert sem janta ou o deixo dormir no sofá?


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Que Brasil que você quer para o futuro?


Todos os dias pela manhã eu escuto:
Que Brasil que você quer para o futuro?
E todos os dias, dezenas de pessoas falam o que desejam.

Um Brasil livre de corrupção.
Um Brasil com mais educação.
Ou um Brasil com mais oportunidade

E outro dia eu perguntei para o Gabriel:
Eu: Gabriel, que Brasil que você quer para o futuro?
Gabriel: Quero comer.
Eu: Gabriel, não é você?
Gabriel: Mas, você perguntou o que eu quero para o futuro. Eu quero comer.
Eu: Não. O Brasil, o futuro do Brasil. Você pode dizer um Brasil sem fome.
Gabriel: o Brasil não tem fome, quem tem fome sou eu.
Eu: Quando se fala do Brasil quer dizer a população, todas as pessoas que moram no país.
Gabriel: Como você complica tudo. Eu tô com fome e posso dividir o lanche para quem esta com fome.

O Gabriel não consegue pensar no coletivo.
Pensa no seu dia a dia.
Agora a população sempre pensa no coletivo.
Espera que o mundo mude.

E quem esta certo nesta história.
Se você pensar: o Gabriel
Ele não tenta mudar o mundo.
Porque ele não consegue pensar grande, como um todo.
No seu mundo ele tenta fazer o certo.
Atravessar a rua na faixa de pedestre.
No metrô, levantar quando chega um idoso.
Ajudar os seus amigos,
Ser educado
Estudar e se esforçar.
Apenas segue o ensinamento do seu amigão: ser melhor a cada dia.

Se cada um fizesse o seu melhor,
Se cada um melhorar o seu jeito a cada dia.
Teríamos um Brasil com certeza melhor.
Não podemos pensar em honestidade, se a gente pensa sempre em um jeitinho para burlar uma regra.
Não podemos pensar em educação, se a gente joga um papel na rua ou não propomos em doar o nossos tempo a ensinar a outra pessoa.
Queremos que o mundo mude. Mas, precisamos aprender a evoluir.

E você?
Que Brasil que você quer para o futuro?


quinta-feira, 5 de abril de 2018

E quando a vida te dá limões......


Gabriel a cada dia se fortalece mais.
Antes ele ficava triste quando riam das suas perguntas ou frases.
Hoje já usa os seus delizes para contar piada.

Aprender a rir de suas dificuldades
Não é fugir dos problemas
Mas, saber enfrentar.

Eu: Onde você vai estudar?
Yudi: No Ita.
Eu: Lá é ótimo. O Ita não paga.
Gabriel: e custa quanto.
Yudi: O Ita não paga Gabriel.
Gabriel: E fica onde?
Eu: Acho que fica em São José.
Gabriel: E quanto custa?
Eu: No Ita não paga Gabriel.
Gabriel: E quanto custa a volta?
Eu: Que volta Gabriel? Estamos falando do Ita. E que não paga.
Gabriel: Sim. Eu sei. Mas, a volta não paga também?
Eu: Volta da onde?
Gabriel: Ida você não paga. E a volta, quanto custa?

E todos começamos a rir.

Voltamos para casa e perguntei.
Eu: Gabriel, quando estávamos falando do Ita, porque você entendeu ida?
Gabriel: É vocês falam muito rápido e todos ao mesmo tempo, então o ita eu entendia ida.
Eu: O barulho ainda te incomoda?
Gabriel: Sim, é difícil de entender quando todo mundo faz barulho e fala ao mesmo tempo.

A vida deu limões para o Gabriel.
Mas, aos poucos ele vai aprendendo a transformar em limonada, mousse e bolo.
E com as sementes vamos plantado arvores para um futuro melhor.



quinta-feira, 22 de março de 2018

Só conquistas as coisas, para quem tenta!


Entra ano e sai ano

E sempre me surpreendo com a resiliência do Gabriel
Eu confesso que já teria jogado a toalha.
E optado por desistir.

A sua força de vontade é tão grande
Que se eu tivesse 10% já ficaria feliz.

Ontem no jornal nacional tinha uma reportagem sobre o ENEM.

Gabriel: Nana, porque a televisão esta falando sobre o ENEM?
Nath: Porque daqui a pouco começará a inscrição para prova.

O Gabriel tem muita dificuldade de entender as reportagens.
Ele assisti e muitas vezes não compreende o que estão dizendo.
Não sei em qual momento que ele se perde.
Quando o jornalista faz a chamada da reportagem e muda para imagem.
Ou porque as noticias são tão rápidas que eles se perde nos assuntos.

E tá toda hora fica perguntado:
- O que tem a luz?
- Porque tem estas faixas?
- Quem foi preso?
Até irrita ver televisão com ele, você não consegue presta atenção também, porque toda hora ele pergunta.

Mas..... voltando ao assunto do ENEM.......

Gabriel: Nana, porque a televisão esta falando sobre o ENEM?
Nath: Porque daqui a pouco começará a inscrição para prova.
Gabriel: Ah, entendi! Eu vou fazer a prova!
Eu: Não é melhor você fazer o ano que vem, quando for para valer?
Gabriel: Não, quero fazer para testar os meus conhecimentos.
Eu: Ah! Mas, é muito difícil, só o Yudinho que conseguiu passar na prova.
Gabriel: Se ele conseguiu, eu também consigo.
Eu: É! Você é inteligente como ele?
Gabriel: Lógico Mamãe.

E saiu andando para o quarto. E se vira e fala:

Gabriel: Mamãe..... só conquistas as coisas, para quem tenta. E eu quero tentar também.

É Gabriel,
Você tem razão.
Só conquistas as coisas quem tenta.

O ENEM que se prepare.
Porque Gabriel tá chegando!



quarta-feira, 7 de março de 2018

Eu reclamo do que?


Nas férias, eu assisti um dorama (novela japonesa)
Ichi ritoru no namida (1 litro de lágrimas)
A história é baseada no diário de Aya Kito,
Uma garota que tem uma doença degenerativa incurável aos 15 anos.
Foram 10 anos de luta.
Do período de 1978 até 1988.
E faleceu aos 25 anos.

E o que mais me surpreendi nesta novela.
É que o diário começa em 1978.
Há 40 anos atrás!!!!
E o Japão nesta época tinha uma escola para deficientes.

Na novela, a protagonista vai para uma escola para deficiente.
E a professora explica que o objetivo maior da escola é fazer com que os alunos sintam capazes e saiam da escola preparadas para trabalhar ou morar sozinhas.

Eu achei isso fantástico.
Uma escola preparar a criança para vida.
Se há 40 anos o Japão já tinha esta política de inclusão.
Com certeza nos dias atuais devem ter um programa melhor ainda.

Outro ponto que chamou a atenção foi em uma reunião de pais.
Os pais dos colegas de sala de Aya querem que ela saia da escola, porque esta atrasando o conteúdo da matéria.
A mãe da Aya pede paciência
O professor de Aya fica sem saber o que falar.

E nesta hora, eu fiquei pensando......
Nunca me coloquei do outro lado.
Eu peço tanto para os professores terem paciência com o Gabriel.
Mas, nunca imaginei que ele podia atrapalhar no rendimento na sala de aula.

Foram várias cenas marcantes neste dorama.

Que ficaria o dia inteiro falando.
Mas, o que mais marcou foi a vontade de viver da protagonista.
Sua luta
O seu esforço
E o seu sorriso no rosto
Que faz a gente pensar: Eu reclamo do que?