terça-feira, 7 de maio de 2019

Porque o baiten é importante

Para quem vive no beisebol.
Sabe que cada campo, cada time, sempre tem o Baiten (refeitório).
É um costume antigo e que se mantém até hoje

E fazer almoço todos os finais de semanas,
Muitas vezes é cansativo e estressante.

Em época passada,
Já questionei se valia a pena todo este esforço.
Não era mais fácil, treinar e ir embora?

E hoje vejo que o Baiten é muito mais que um refeitório

Porque o BAITEN é importante?

O BAITEN é aconchego.
É ter a certeza que no final do treino terá aquela comida gostosa feito com carinho pelas tias e tios.

O BAITEN é confraternização
O momento de todos se reunirem, de conversar e de se divertir.

O BAITEN é momento de união
É comer sentado na mesa.
Hoje em dia quantas crianças comem no sofá ou em frente da televisão.

O BAITEN é experimento.
Experimentar comidas novas.
Conversar com pessoas diferente.

O BAITEN é para aprender a dividir.
Dividir o restante da lasanha.
Dividir o doce que a tia trouxe.

O BAITEN dentro da cozinha é troca de vivência.
É aprender receitas novas.
É trocar informações sobre saúde, atualidades e educação.

O BAITEN é onde todos procuram.
Seja para chorar porque levou uma bolada no rosto.
Para procurar um multímetro
Ou simplesmente para ganhar um carinho.

Por isso o BAITEN é importante.
É o porto seguro de um campo de beisebol.





quarta-feira, 17 de abril de 2019

#Diversão29

As regras sociais
Que difícil de entender.

Outro dia eu queria falar oi para uma pessoa.
Eu fiquei atrás dela, esperando terminar o que estava fazendo.
Ela nunca me via, mas mantive andando atrás.

Minha mãe disse: Gabriel o que você esta fazendo? Parece uma sombra.
Gabriel: Quero falar oi para Ayumi.
Minha mãe: Ué? Fala oi de uma vez. Ayumi, o Gabriel quer falar oi para você.

Minha mãe complica tudo.
A Nana disse que não é educado ficar cutucando ou interromper as pessoas.
E a minha vai lá, interrompe as pessoas e ainda dá bronca dizendo que sou uma sombra.

Eu acho que a minha mãe que tem problema.
E, tenho a certeza que ela é muito mal educada.
Interrompeu e ainda cutucou.



segunda-feira, 8 de abril de 2019

Porque acompanho os meus filhos no beisebol?


As crianças de hoje estão conectadas no seu iphone, nas redes sociais e nos jogos.
Muitos adolescentes estão dentro de casa,
Em seus quartos.
E afastado de seus pais.
Vivem em mundo virtual.
E nem sabemos por onde navegam
E com quem se conectam.

E se não criarmos mecanismos para se conectar a eles.
Nos afastaremos a cada vez mais.

E o esporte mais uma vez vem para contribuir este relacionamento.
Além de cuidar da saúde,
Dar disciplina e formação.
Ele vem para aproximar e transformar o núcleo familiar.

Mas, o esporte sozinho não faz milagres
Se os papais e mamães não acompanharem esta conexão.

Quando os pais participam do dia a dia do filho
Eles criam oportunidades para estarem juntos
Fortalecendo a relação,
Aumentando a intimidade
Conhecendo os amigos,
E principalmente, verá o pai e a mãe como um amigo.

Porque acompanho os meus filhos no beisebol?

Sábado
06:00 
O alarme do celular toca.
Eu me levanto
E partimos para mais um treino
Podia estar em minha cama quentinha.
Mas, no carro estamos conversando e rindo sobre o jogo passado.

07:30
Ajudo a preparar o café da manhã.
Eu lembro que nem lavei a louça da janta de ontem.
As crianças chegam para treinar.
Cumprimentam, beija, abraça.
E desejam um bom dia.

09:00
As crianças vão para o campo
Os pais e mães colocam a conversa em dia.
E, eu me lembro que tenho uma pilha de roupa esperando.

No vai e vem da manhã os atletas passam
Um diz: tiaaaa, consegui recuperar a nota.
Outro passa dando tchauzinho.
E assim vão passando as horas.

13:00
Almoço pronto.
Eu lembro que nem fiz as compras para semana.
As crianças vem se servir.
Ao passar, alguns contam como foi o treino.
Outros torcem o nariz quando oferece uma beterraba.
Mas, todos se sentam à mesa.
Sim. Sentam na mesa e não na frente da televisão ou computador.
E compartilham risada, conversas e trocam experiências.

E assim o dia vai passando
Conhecendo cada atleta do grupo.
Conhecendo os seus sonhos e suas histórias.

18:00
Hora de voltar para casa.
No meio do caminho,
Conversamos, rimos e interagimos.
Contando os acontecimentos do dia
E até o dia da escola que não tivemos tempo para sentar e conversar

Não é fácil.
É cansativo sim.
Temos o trabalho
A casa para cuidar
E a família para visitar.

Mas...
O mundo mudou
A sociedade mudou
O mundo virtual existe,
Não tem como acabar.
Nós pais que temos que criar mecanismos para conectar com os nossos filhos.
Não podemos deixar que a tecnologia vença a relação de pais e filhos.



terça-feira, 2 de abril de 2019

Coisas que ainda acontecem no dia a dia.

As aventuras de quem entende
Mas, não compreende.

Eu: Gabriel, você leva o Moti para tomar banho na sexta as 16 horas?
Gabriel: ok. (anotou na agenda o compromisso)

Fiquei esperando ele perguntar como pagaria o banho.
Passou um dia,
Passaram dois dias....
Até que chegou a sexta feira, as 16 horas.

Eu: Gabriel, você levou o moti para tomar banho?
Gabriel: Sim. Levei
Eu: E você tem dinheiro?
Gabriel: Dinheiro para quê?
Eu: Para pagar o banho
Gabriel: Você só pediu para levá-lo para tomar banho, não disse que tinha que pagar.
Eu: E como você vai trazer o Moti de volta? Tem que pagar, se não eles não vão entregar.
Gabriel: E quanto custa?
Eu: Eu acho que é R$ 60,00
Gabriel: Eu tenho R$ 50,00, preciso de R$ 10,00.

Como já sabia que o Gabriel não teria o dinheiro, deixei na geladeira o dinheiro para ele pagar.

Eu: Tem R$ 100 reais na geladeira, usa para pagar.
Gabriel: Mas, eu preciso de R$ 10,00. Tem 10 reais?
Eu: Não só tem uma nota de R$ 100.
Gabriel: Então não vai adiantar. Porque eu preciso de 10.
Eu: Usa os 100 reais.
Gabriel: Vou dar os 150 reais para moça?
Eu: Não. Você usa os 100 reais para pagar.
Gabriel: E os 50 reais, o que eu faço.
Eu: Joga no lixo.
Gabriel: Você quer que eu jogue no lixo os R$ 50 reais?
Eu: Não. Só louco que joga dinheiro no lixo.
Gabriel: E você acha que eu sou louco?
Eu: Nãoooooooooo...... só fiz um sarcasmo
Gabriel: Nossa, mãe. Realmente você complica a minha vida. Era tão mais fácil deixar 10 reais na geladeira

Tem hora que eu penso....
Realmente complico a vida demais.


segunda-feira, 25 de março de 2019

Insista. Persista. Não desista.

Gabriel sofreu muito na escola.
Eu sempre dizia:
- Não liga o que os outros falam.
- Você é um menino de ouro.
- Se a pessoa não quer ser seu amigo, não tem problema, você encontrará outros que querem.

Sempre o motivei o máximo.
Tentava de tudo para melhorar a sua auto estima.
E nada funcionava.

Eu falava que todo mundo tinha uma dificuldade.
Cada um tinha um defeito.
E que o defeito podia ser perfeito também.

Ele sempre dizia:
- Você não entende.
- Você não sabe.

E perguntava:
- Então me explica, por favor, me explica o que você sente.

Ele explicava que não deixavam brincar
Ele falava que riam dele por não entender
Ele gritava que não conseguia.

Por mais argumento,
Por mais solução que eu dava
Ele dizia: você não entende.
Ninguém entende.
Eu não consigo.

Gabriel foi no psicologo
Passou em diversos.
Odiava ir.

Sua irmã não o entendia porque ele não gostava.
Ela dizia: Gabriel é tão legal a psicologa, a gente só brinca.
Ele: Então vai você. Não gosto que fiquem olhando. Não sou estranho. Sou normal.

Com o tempo o Gabriel parou de falar sobre os problemas.
Não porque tinha terminado.
Porque ele tinha a certeza que eu não ia ajudá-lo
E também não queria me ver chorar.

Ele dizia: Não vou te contar, você não vai me ajudar e vai chorar escondido.

Eu não sabia o que fazer.
Mas, continuamos na luta e andado a deriva.
Mudamos o Gabriel de escola.
Começou a pratica de esporte, o beisebol
Nana ajudava como podia na escola e no dia a dia.
Continuava na fono.
Treinava na casa do amigão.
Fazia terapia com o psicologo.
Os amigos do beisebol o incentivava
Fazia aula particular
Realizava terapia de acupuntura.
Fez “n” coisas ao mesmo tempo.
E, mesmo assim se sentia só.
incompreendido
E achava o estranho.

Muitas vezes eu pensava em desistir.
Deixá-lo no seu mundinho.
Fugir dos problemas.
E facilitar a sua vida.

Seria mais fácil.
Ahhhh... seria muito mais fácil.

Mas, nós não podíamos abandoná-lo.
Tínhamos que continuar remando.
Mesmo sem saber para onde os sentimentos e pensamento do Gabriel caminhavam.

E um belo dia, eu percebi que ele tinha se fortalecido.
Não que as pessoas pararam de rir dele.
Continuam achando que ele é bobo, burro e estranho.
Mas, isso não machuca tanto.

Eu não sei o que melhorou.
Se foi a psicologa
Se foi o amigão
Ou qual “n” atividades que ele fez.
Só sei que melhorou.

E foi quanto tempo?
1 semana?
1 mês?
Não.
Foram anos.
Anos de lutas.

Nós como pais temos que tentar.
Temos que insistir.
Não podemos desistir.
Mesmo não surtindo efeito naquele momento.
Uma hora eles melhoram....

E se não melhorar?

Insista.
Persista
Não desista, mesmo que seja mais fácil.

quinta-feira, 7 de março de 2019

O nome do pai


Eu não me lembro quantos anos o Gabriel tinha.
Eu acredito com 7 ou 8 anos.

Ele voltou para casa triste.
E mostrou uma prova, tinha tirado 1.
Um dos exercícios era: Escreva o nome da sua mãe e do seu pai.

Ele escreveu: Mamãe Tris e Papai Rebiti
Tinha um X enorme na questão.

No dia seguinte, fui questionar a professora.
Eu: Ele escreveu certo mamãe e papai. Não tinha que considerar meio certo?
Ela:As crianças nesta idade tem que saber escrever o nome dos pais.
Eu: Mas, nunca fizemos nenhum exercício com os nomes dos pais. E Gabriel tem DPAC, a compreensão dele é diferente da nossa.
Ela: Se você nunca ensinou, não tenho culpa.

Sai arrasada de lá.
Tinha tanta coisa para ensinar.
Nunca tinha passado na minha cabeça que pediriam os nomes dos pais em uma prova.

E porque estou contando isso?
Gabriel fará 18 anos este ano.
E pela internet fez o alistamento militar.

E fomos preenchendo as informações solicitadas.
Nome, data de nascimento, RG, CPF, endereço
Algumas informações ele sabia,
Outras eu falava.

E um certo momento chegou:
Nome da mãe – ok
Nome do pai – ele pensou, digitou, apagou, digitou de novo. E perguntou:

Gabriel: Como escreve o nome do pai?
Eu: Com H
Gabriel: Hebeti
Eu: Não Gabriel, T é mudo.
Gabriel: O que é um T mudo? O T fala?
Eu: Não Gabriel, é o T sem a vogal i
Gabriel: Ahhh, não era melhor falar T sem a vogal do que T que não fala?
Eu: Faltaram dois R no nome, depois do E
Gabriel: Dois R?
Eu: Depois do E
Gabriel: Herrbet
Eu: Não
Gabriel: Você disse dois R depois do E.
Eu: Desculpa. Tem R depois do E.
Gabriel: Escreve aqui.
Eu: H E R B E R T
Gabriel: Porque escolheram um nome tão difícil
Eu: Acho que era para complicar a vida nossa.

Fiquei pensando......
Mais de 10 anos depois
Somente agora que eu ensinei como escreve o nome do pai.
Realmente a culpa foi minha.
Devia ter ensinado antes

Enfim.... nunca é tarde para aprender e ensinar.....