Mostrando postagens com marcador criança especial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador criança especial. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Bullying contra os burros

Li uma matéria neste final de semana (link)

"Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes"
"Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente.
Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno.
O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora".

É simples assim.
Mas, é tão distante da realidade.

O Gabriel vive na luta diária para acompanhar a sala de aula.
Alguns professores tentam ajudar.
Outros fingem se importar.
Mas, no final o Gabriel esta sozinho.

Os professores dizem que não tem tempo para dar mais atenção.
A escola diz que o MEC exige uma grade de horas.
E o MEC simplesmente desenha uma teoria linda.
E neste jogo de empurra empurra, resta a cena abaixo:

Gabriel: Mãe, você sabia que a escola do Kenzo faz bullying?
Eu: Como assim?
Gabriel: Eles fazem bullying contra os burros.
Eu: Como?
Gabriel: Lá, se você ficar com 4 recuperação, você tem que sair da escola.
Eu: Ah! Então não é bullying.
Gabriel: Lógico que é, os burros nunca vão poder estudar lá. Eu, mamãe, nunca poderei estudar lá.

Você não é burro Gabriel. Apenas aprende de uma forma diferente.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Entre o Céu e a Terra, existem muitos mistérios.

Estou ausente no blog.
Porque estou na correria.
A minha empresa se mudou para Alphaville.
E as ultimas semanas estava cansada, irritada e estressada.
Tive vontade de largar tudo e ir embora.
Caixas, fitas, obra, contratos a encerrar, contratos a contratar, enfim......
Um caos.
Nestas horas tem que ter muita fé e muita paciência.

E falando em fé. 
O que impressiona muito no Gabriel é sua fé em Deus, em Jesus.
E olha que nem eu e nem minha família temos toda estas crenças.
E muito menos falamos sobre o evangelho, Deus ou Jesus dentro de casa

Lembro de uma cena quando o Gabriel tinha uns 4 anos e nem falava direito e  eu disse:
Eu: Ai meu Jesus, daí-me paciência!
Gabriel (com cara de espanto): Jesus? Você conhece? É seu amigo?
Eu: Sim, Jesus é meu amigo.
Gabriel (todo feliz): Você é amiga de Jesus! Que legal!
Eu: Você conhece Jesus?
Gabriel: Sim, mamãe. Jesus é meu amigo! Somos muito amigos.

E outra cena:

Eu: Gabriel quando eu morrer vou te esperar no céu.
Gabriel: Não você não estará lá.
Eu: Porque não?
Gabriel: Porque não vamos para o mesmo lugar.
Eu: Como assim?
Gabriel: Eu vou para um lugar e você vai para o outro.
Eu: E como você sabe?

O Gabriel simplesmente foi embora e me largou falando sozinha.
Eu nunca obtive a resposta e sinceramente espero que ele esteja errado.


terça-feira, 30 de junho de 2015

A vida não é facebook.

Onde as pessoas são felizes e amadas.
Onde se prega uma sociedade mais justa
Livre de preconceito e com respeito ao próximo.

Na escola das crianças, todo mês de junho, eles fazem “olimpíadas” e cada sala tem uma cor de camiseta para os jogos.
Há uns 15 dias atrás o Gabriel voltou da escola trazendo uma novidade.

Gabriel: Mãe, advinha qual é a cor da minha sala?
Eu: Azul? Verde? Amarelo?
Gabriel: Não. É rosa, mãe! ROSA!
Eu: Tudo bem Gabriel, rosa é apenas uma cor.
Gabriel: Rosa é cor de menina mãe. Que droga.
Eu: Hoje em dia os homens usa rosa, o seu pai tem uma camiseta rosa, a cor não define uma pessoa.
Gabriel: É? Posso usar Rosa?
Eu: Pode Gabriel, definir cor é preconceito.
Nath: É Gabriel, homem pode usar rosa. Mãe, a minha camiseta é branca e pedi o numero 13 para ficar igual do beisebol.
Eu: Que legal! E você, Gabriel, qual é o número?
Gabriel: 24
Eu: 24? Porque 24?
Gabriel: Eu não sei, os meus amigos disseram que eu tinha que ser o 24.

Parei
E pensei: camiseta rosa e 24.
E agora? O que eu faço? Reclamo? Falo algo?
Mas, acabei de falar que a cor não define uma pessoa, como posso falar do número?
Que droga! Estes meninos fizeram sacanagem.
Paciência! Respira fundo! São crianças e foi uma molecagem.

Eu: Será que não pode mudar para o 37, o numero da sua camiseta de beisebol?
Gabriel: Não, mãe. Os meus amigos disseram que o eu tinha ser o 24. Eles já escolheram. É só um número.

Passou uns dias, e o Gabriel trouxe a camiseta para casa.

Gabriel: Mãe, olha a minha camiseta.
Eu: Ué? Você não era o 24? Porque você trouxe a 45?
Gabriel: Sei lá, mamãe. A professora disse para o meu amigo dar outro número para mim. Então, ele deu esta.

Ainda bem que a professora interviu na situação.
Porque acredito que ele seria piada da escola.
E ficaria muito triste com os “seus amigos” quando percebesse do ocorrido.

A vida real é dura.
É feia, é triste.
Dá vontade de sumir.
Mas, as vezes aparece anjos no meio do caminho que fazem você continuar o seu caminho.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

As regras da vida

O Gabriel não é muito bom no esporte.
Na verdade, ele tem muita dificuldade.
Mas, mesmo assim, ele gosta de praticar e sempre quer participar.

O ano passado o Gabriel queria entrar no time de futebol da escola.
Fez os testes e infelizmente não passou.

Este ano, o Gabriel resolveu entrar para o time de handebol.
Fez os testes e não passou também.
Entretanto, o professor deixou ele participar, nas seguntes condições:
Ele não faria parte do time, não poderia jogar, mas treinaria junto.

Ele voltou todo empolgado e feliz.
Foi em todos os treinos.
E sempre na esperança em entrar para o time.

Só que na escola existe uma regra.
Quem fica com notas vermelhas, não pode participar mais.
E o que era previsível, aconteceu.
O Gabriel ficou com as notas vermelhas e informaram que ele sairia do time.

Ele voltou com os olhos cheios de lágrimas.
Ele entende que precisa cumprir a regra.
E ele não cumpriu.
Disse que se esforçará mais no próximo trimestre para ir bem nas provas.
E fazer de novo parte da equipe.

É possível dele ir bem nas provas?
Sim. É possível.
Só que será muito difícil.

Eu acredito que esta regra poderia ser adaptada.
Nem sempre as regras são justas.
Poderia ir na escola e tentar mudar.
Mas, eu não poderei mudar todas as regras para ele.

Logo, acreditei que será melhor ele se acostumar com as “injustiças” da vida.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A infância é tão curta e tão rápida.

Gabriel: Mamãe, já sei o que eu quero ganhar?
Eu: Ganhar o quê? Quando?
Gabriel: Do Papai Noel. Vou pedir aquele brinquedo que vem madeira, serrote. Depois você me ajuda a escrever uma carta?

Gabriel já tem 12 anos e ainda acredita em Papai Noel.
Até o ano passado, ele faz estratégia junto com a irmã para ver o verdadeiro Papai Noel.
Porque o do shopping, ele sabe que é falso.
O verdadeiro tem barba de verdade.

Eu perguntei para a neurologista o porque que o Gabriel ainda era tão imaturo? E ela informou que crianças que tem dificuldades em aprendizado, tende a demorar mais para amadurecer.

Não sei se eu deveria falar que Papai Noel não existe.
As vezes, penso que sim, outras vezes não.

A magia são para poucos.
E a infância é tão curta, tão rápida.
Deixe ele aproveitar em ser criança.



terça-feira, 21 de maio de 2013

Inclusão social na escola.

É complicado? Sim muito.

As escolas estão preparadas? Não estão.

Vejo pelo Gabriel, ele tem apenas alteração do processamento auditivo, mas ele precisa de atenção dos professores, provas diferenciadas, e estimulo para brincar com outras crianças.

Imagina uma criança que necessite de outras ajudas como a se locomover, uma atenção mais redobrada, como lidar com isso se em cada sala de aula tem apenas um professor?

Se o Gabriel nascesse na minha época de estudante, em uma época que não tinha inclusão em sala de aula, acredito que ele estaria fora da escola.
Ele não acompanharia os outros alunos , não teria apoio da escola e logo a família já teria desistido em mantê-lo estudando.

Por isso que a inclusão social na sala aula é muito importante. Não podemos fechar os olhos e tratá-los como “sem capacidade”.
Todos os cidadãos tem capacidade, só precisamos respeitar o tempo de aprendizado e dar estruturas para isso.

A inclusão é muito importante para o lado “normal” também. Pois, eles aprendem que dá para conviver com alguém “diferente”, a não ter preconceito, a ser mais tolerante e a respeitar o próximo.

Incluir uma criança é bom para os dois lados.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Poucas matérias sobre DPAC

São poucas matérias que fazem sobre o DPAC, segue abaixo uma parte da matéria que foi feita em maio de 2000 pela revista super interessante.


Audição

Distraído pelo barulho

Desatenção e notas baixas na escola não são sinônimo de falta de inteligência. Às vezes o problema está na incapacidade de lidar com barulho, mas poucos médicos sabem disso.

por Fábio Peixoto

"O mundo é barulhento demais
Para uma vítima de DPAC, o mundo se transforma numa interminável confusão de barulhos desconexos e embaralhados de onde é quase impossível pescar os sons que realmente interessam (veja infográfico). O ar-condicionado vira um zunido infernal que se sobrepõe às vozes dos outros. O telefone torna-se uma máquina indecifrável, porque o cérebro não consegue decodificar a fala do interlocutor em meio à distorção normal de qualquer ligação. Também não é fácil entender a entonação das frases. Uma pergunta pode soar como uma afirmação e uma ironia acaba parecendo a frase mais séria do mundo. Os amigos acabam se afastando, já que ninguém gosta de conversar com alguém que não entende o que os outros dizem.
A fala também é prejudicada. “Os processos de linguagem se desenvolvem ao mesmo tempo que os de audição”, explica a fonoaudióloga Liliane Desgualdo, da Universidade Federal de São Paulo, pioneira no diagnóstico da DPAC no Brasil. “Uma criança pode não aprender a falar bem se não souber lidar com os sons.” A leitura acaba igualmente afetada. “Mesmo num lugar silencioso, uma pessoa com DPAC encontra problemas em entender um texto porque, para tanto, é necessário associar as palavras ao som que elas têm”, conta a psicopedagoga Ana Silvia Figueiral, de São Paulo. Todo esse esforço para realizar atividades corriqueiras é demais para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e “desliga”. Por isso, as vítimas do problema são sempre muito distraídas.
Enfim, tudo se torna uma tarefa dura. O ouvido até percebe os sons, mas o cérebro, iludido pela falta de estímulos na infância, não sabe o que fazer com eles. Os médicos geralmente não percebem a disfunção porque ninguém desconfia que sintomas tão variados possam estar todos ligados à audição, menos ainda quando constatam em exames que o ouvido funciona normalmente. E, se o diagnóstico não é feito, não há como curar (veja quadro à direita).

Reaprendendo a escutar
A DPAC só foi reconhecida nos Estados Unidos em 1996, quando a Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição chegou a um consenso sobre seus sintomas e suas formas de tratamento. Ainda se sabe pouco sobre as causas – a falta de estímulos sonoros está entre elas, mas suspeita-se também de razões genéticas e de má alimentação. “Uma coisa é certa: a desordem está relacionada à classe social”, afirma Liliane. Ela fez uma pesquisa em colégios de São Paulo e constatou que, nas escolas particulares, entre 15% e 20% das crianças têm DPAC em algum grau. Nas escolas públicas, onde há uma proporção bem maior de alunos pobres, o índice chega a alarmantes 70%. A razão disso é que crianças mais pobres geralmente ouvem menos música, têm mais inflamações no ouvido, menos acompanhamento de pediatras e psicólogos e se alimentam pior, o que também pode prejudicar a formação do sistema auditivo. Infelizmente, a imensa maioria delas carrega esse estorvo para a idade adulta sem ao menos desconfiar que a cura pode estar ao alcance da mão."

Para Saber Mais
Processamento Auditivo Central – Manual de Avaliação, Liliane Desgualdo Pereira e Eliane Schochat, Editora Lovise, São Paulo, 1997.

fpeixoto@abril.com.br

terça-feira, 16 de abril de 2013

Moti


Os estudiosos, cientistas, terapeutas e amantes destes bichos dizem que ter um animal de estimação é muito importante para uma criança, pois estimula e cria responsabilidade.

Pensando nisso, trouxemos o Moti para casa. Um cachorrinho, lindo e meigo e que será o novo amigo do Gabriel e da Nath.


Tenho certeza que o Moti será um elo de amizade e amor e principalmente de união, conforme o significado do seu nome.




MOTI
É um bolinho japonês feito de arroz.
Preparo: o arroz cozido é socado e umedecido várias e várias vezes, até que se torne uma massa homogênea e grudenta o que torna difícil a sua separação.
É um símbolo da cultura japonesa, pois, para produzi-la tradicionalmente necessita do trabalho em conjunto e muito bem coordenado de três ou mais pessoas.
O arroz é símbolo de prosperidade e fartura.

Seja bem vindo a nossa família MOTI.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Estrelinha Dourada.


Sonho do Gabriel foi sempre ganhar uma estrelinha dourada. 

No segundo ano do ensino fundamental, uma professora do Gabriel teve uma brilhante ideia.
Quem acertasse as respostas, ganharia uma estrelinha dourada!

O Gabriel nesta época ainda nem falava direito, trocava as letras, não sabia se fada era escrito com f ou com v, se sapato era com t ou d, e não conseguia entender a matéria, era um caos.
Mas, ele queria ganhar as estrelinhas. Só que ele não conseguia, porque tinha que acertar as respostas, e como acertar se ele nem sabia qual era pergunta que estava sendo feito?!?!?

Fui descobrir sobre as malditas estrelinhas quando um dia, em casa, ele chegou desabando de choro.
Gabi: Mamãe, eu burro! Eu burro!
Eu: Não, você não é burro. Porque você acha isso?
Gabi: Eu estrelinha abarela.
Eu: Que estrelinha?
Gabi: você não entende. Eu burro!
Nath: A professora do Gabriel dá uma estrelinha dourada para quem acertar a lição, o fulano de tal já tem 10 estrelinhas.
Eu: eu compro um monte de estrelinhas douradas amanhã! Não chora, não fique triste, é só uma estrelinha.
Gabi: A sua estrelinha não! Estrelinha da escola!

No outro dia fui direto falar com a coordenadora da escola. Falei para ela que o método de premiar as crianças com estrelinha dourada era muito injusta e o Gabriel nunca ganharia a tal estrelinha. E que se a professora quer incentivar uma criança, por que não dar a estrelinha para criança que se esforça em responder, ou que fez a lição, ou que se comportou?

A partir deste dia, nunca mais foi dada a estrelinha dourada.
E o Gabriel, até hoje, espera ganhar sua.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Beisebol , uma nova vida para o Gabriel.


Auto estima baixa, faz com que a criança comece a se fechar, a isolar e se sentir incapaz.
E agora o que fazer?
A minha saída foi procurar um esporte coletivo para que o Gabriel conseguisse trabalhar em equipe, para tentasse se aproximar mais das crianças e que essas crianças o motivassem.
E qual o melhor esporte para trabalhar nisso?

O BEISEBOL

O beisebol é um esporte que trabalha muito com união (para vencer o jogo é preciso de todos os jogadores), conquista (é preciso conquistar base por base para vencer), superação (você pode virar o jogo) e família (é a base deste esporte).

O beisebol deu uma nova vida para o Gabriel. Apareceram muitas pessoas que mudaram a sua vida: senseis, crianças, pais, mães, avôs e avós. Foram tanta gente que ajudaram diretamente ou indiretamente que fica difícil colocar o nome de todos neste blog, sem esquecer de ninguém.

A todos vocês: Muito obrigada por tudo!

Uma das cenas mais marcantes:

Cena de jogo de beisebol.
Última entrada
Dois batedores fora (2 outs)
Último ining
Bases cheias
Próximo a batedor para bater: 
O melhor batedor, o 4º batedor, atleta da seleção. (Vitória na certa)
Sensei (técnico) fala: pitcher hita (substituição de batedor). 
Vai Gabriel, entra para bater.


Chances de batida: 1%

O melhor batedor passa o taco de beisebol para o Gabriel e fala: vai Gabriel, “caceta bola”, acredita.
Nenhuma criança contesta o Sensei.
Ninguém diz: Putz, agora “ferrou”!!!
Os atletas (10 a 11 anos) todos apoiam, gritam e incentiva o Gabriel (você vai conseguir! Traz todo mundo Gabriel! Agora eles vão ver!)
Pais e mães torcem juntos, cantam e gritam palavras de incentivo.

Resultado: 3 strikes, batedor fora.

Fim de jogo.

Todos vão para perto do Gabriel e diz:
- Quase você acertou, passou por pouco!
- Você foi bem Gabriel
- Parabéns Gabriel, da próxima você bate!



O Gabriel baixinho diz assim: mamãe você viu que todos torceram? Mas, eu fiquei nervoso e não consegui bater.
E eu disse: tudo bem, da próxima vez você consegue.

Quem ganhou com o out (a eliminação) do Gabriel?
O time adversário? Ou o time que deu uma aula de solidariedade e companheirismo?

O gesto de solidariedade destas crianças tão pequenas, mudaram a rotina do Gabriel para sempre.
A partir deste dia, ele passou a ter mais confiança nele. Porque os amigos acreditavam nele. E o apoiaram mesmo ele errando.

As vezes gestos simples, mudam toda uma história.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Terapia

A fonoaudióloga é a médica indicada para o tratamento de crianças que tem alteração do processamento auditivo. Mas, apenas ela não é o suficiente para ajudar pessoas que tem esta dificuldade

É necessário acompanhamento de: psicólogas, psicopedagogas, fisioterapeuta ou TO (terapia ocupacional). Estas crianças, com a dificuldade de escutar, entender e aprender faz com que ela fique com a auto estima muito baixa. Ela tende a se isolar e viver no seu mundo.

A psicóloga ajudará muito a cuidar da sua auto estima e com a sua rotina do dia a dia. No começo relutei bastante em colocar o Gabriel na psicóloga porque acreditava que eu podia ajudá-lo, mas, como sempre, santo de casa não faz milagres, me rendi a uma profissional. E posso falar que ajudou muito, e hoje, a sua auto estima esta nas alturas.



A psicopedagoga ajudará na parte pedagógica, também a mesma coisa, santo de casa não faz milagres. Estas crianças aprendem por associação de palavras. Não adianta mandá-lo decorar a frase: Quem descobriu o Brasil foi o Pedro Alvares Cabral em 1.500. Ele tem que decorar palavras chaves como: Descoberta = Brasil = Pedro. Tem que fazer esquemas de palavras para ele conseguir formar frases. Complicado, né? Muito complicado porque eles têm muita dificuldade em interpretação de texto..Ter alguém que ajude na escola é um ponto muito importante.

Fisioterapeuta ou TO é importante para ajudar na coordenação motora fina. O Gabriel, por exemplo, tem dificuldade em amarrar o sapato (tanto que ele usa tênis de velcro) e fechar os botões da camisa.  Mas, esta profissional infelizmente tive que deixar de lado pois financeiramente não sobrou dinheiro.

Hoje, com a ajuda da minha família eu consigo pagar os médicos especialistas em DPAC ou distúrbio de aprendizagem para o tratamento do Gabriel.
Mas, quantas crianças que tem o problema e não tem dinheiro para pagar?
Será que um dia esta situação mudará?!?!?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Infância

A infância do Gabriel foi sempre no 220 V, ele não parava um minuto sequer. Lembro que toda vez que eu saia com ele em algum lugar, sempre tinha alguém falando: acho que o seu filho esta fugindo! Era só piscar o olho que ele sumia de vista.

O Gabriel foi para escola aos 6 meses de idade e ficava o dia inteiro. Ele era bem bagunceiro na escola, aprontava muito. Não conseguia ficar sentado, vivia zanzando de um lado para o outro. Mas, ele não falava muito e quando falava, eram palavras soltas, não formava uma frase. A escola dizia que ele era um pouco imatura, mas que logo mudaria este cenário.

Aos 4 anos, a diretora da escola me chamou e disse que o Gabriel estava um pouco atrasado na fala. Então começamos a fazer a terapia com a fono,  mas parecia que não tinha muito resultado. Quando ele começou a ser alfabetizado aos 5 anos, no método construtivista, ele não conseguia a aprender. Tanto que a escola disse: Cris, o Gabriel terá que repetir de ano, ele não sabe ler ainda. E eu: como uma criança repete o pré?!!? Fiquei inconformada com a situação e a minha mãe também.

Nas férias de dezembro, a bathian (avó) ficou inconformada do Gabriel não aprender e resolveu ensiná-lo, pediu para minha cunhada comprar o livro caminho suave no interior, porque aqui em SP não se vendia o livro, e com muita paciência falava: b com a = BA, b com e = BE e assim por diante. Até conseguiu alfabetizar o Gabriel, com muita luta, muitas brigas, muito estress, mas finalmente ele começou a ler: bola, casa, bota, caixa, bolacha

Alfabetizar era apenas o fiozinho de todos os problemas que viriam a seguir.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Fonoaudióloga - Peça fundamental

O Gabriel passou por 3 fonoaudiólogas que eram muito boas, ajudaram muito nos primeiros passos para falar, para se comunicar.

Mas, nenhuma delas conseguiam fazer o Gabriel entender as conversas, os comandos ou as regras. E isso era um grande problema, porque ele estava crescendo, e não entendendo as outras crianças, estas crianças afastavam de suas brincadeiras.

E ele começou a se fechar, a achar que realmente era burro, bobo e idiota...... Bom esta história fica para uma outro dia.

Nesta luta de fazer o Gabriel a escutar melhor, e encontrar uma profissional que conseguisse esta proeza e que fosse perto de casa, parecia tão distante de acontecer.

Meu Deus, onde vou encontrar uma pessoa assim? Será que existe mesmo? Ou será que o realmente não tinha solução?!?!?

E de repente, um dia, no beisebol, conversando com uma mãe que tinha acabado de chegar, o que eu descubro?!?!
Que ela era especialista no problema do Gabriel!!!! Ebaaa!!!
E melhor ainda, era morava perto de casa!!! Ebaaaaaaaaaaaa!!!!!!!
Com certeza Deus acertou em cheio e mandou uma anjinha especial para o Gabriel.

Licia, muito obrigada por tudo. Sem palavras para te dizer o quanto você ajudou o Gabriel e principalmente ajudou muito a família que estava mais perdido que cego em tiroteio.
Você fez o Gabriel aprender a escutar melhor, mostrou para o Gabriel que música tem uma melodia e não um monte de barulho que nada significava.
Nunca vou esquecer o dia que ele falou assim: mãe, agora começo a entender o que a pessoas fala!!!! Como foi gostoso ouvir isso.
É a Licia foi o divisor de água na vida do Gabriel.
O que antes era um monte de blá blá blá, agora era tinha um significado.
O Gabriel agora esta curado?
Não, infelizmente não.
O Gabriel ainda não entende 100% do que se fala,
se perde ainda no meio da conversa,
não tem conteúdo suficiente,
não tem memória para um frase longa,
mas esta melhorando, aos poucos,
um passo de cada vez luta,
um dia após o outro.
E sempre em frente.

Encontrar um fonoaudióloga que é especialista em alteração do processamento auditivo é muito importante para esta longa jornada.

O diagnóstico



A primeira coisa quando você recebe o diagnostico do seu filho, vem junto o sentimento de culpa.

O que eu fiz de errado? Será que foi a vitamina de manga com leite que tomei? Será porque eu fui para cachoeira? E assim por diante, você se sente culpada, começa a acreditar até em crendices populares, tudo isso porque você precisa achar uma explicação para tudo isso e se sentir menos culpada.

Depois que você não encontra nenhuma explicação para os seus problemas, você vai para internet e procura quem?!?! Dr. Google.

Dr. Google, o doutor que sabe tudo!!! \o/

Agora sim. Agora vou resolver o problema de vez, tenho certeza que lá terá as perguntas e respostas para todos os meu problemas!

Digita, procura, lê um artigo, lê outro artigo, começa a misturar as doenças, a encontrar outros problemas, fica preocupada quando lê coisa mais graves, mais fica aliviada quando lê: basta um treino auditivo realizado por um fonoaudiólogo que o problema é minimizado.

Se batas apenas fazer fono, para que eu estou tão preocupada assim?!?! O Gabriel já faz fono, é só continuar que tudo será resolvido! Simples, rápido, fácil e vida normal!!!! \o/\o/\o/

Só que não é tão fácil assim. O buraco é bem mais fundo que parece. E quanto mais você tenta sair do buraco, parece que a saída fica mais distante.